O URSO É NOSSO, A VIOLÊNCIA TAMBÉM.

Pois é, ganhamos o Urso de ouro em Berlim. Amado e odiado pelo público e pela crítica, o filme TROPA DE ELITE cumpriu com o seu objetivo ao se lançar no competitivo mercado internacional levantando polêmica. Nos anos oitenta, a cantora Madonna lançou a filosofia do "falem mal, mas falem de mim", e ao que parece, o diretor José Padilha resolveu seguir à risca os ensinamentos da diva pop. Os planos convergem rumo ao Oscar 2009, e era necessário o maior estardalhaço possível na mostra competitiva alemã para que o filme pudesse ter êxito na empreitada. Saiu melhor que a encomenda: consagrado com o Urso de ouro de melhor filme, derrotando o favorito SANGUE NEGRO, TROPA tem agora as portas do mercado internacional escancaradas e larga na frente em busca de uma indicação ao Oscar.
Mas isso é apenas um gancho para falar um pouco sobre a violência. Moro no Rio de Janeiro há vinte e dois anos e confesso que nunca vi a coisa tão feia quanto tenho visto. Em que pese nunca ter sido assaltado (sim, Deus existe!), posso acompanhar à distância, a qualquer hora do dia ou da noite, o pipocar dos tiros de fuzis e pistolas ao meu redor. Os fuzis, já sabemos, são dos bandidos. As pistolas são dos policiais. É uma luta injusta. Entra governo, sai governo, e tudo se repete. Na época de eleição, os candidatos dizem que vão fazer e acontecer, que a bandidagem vai ver o que é bom pra tosse, que a segurança pública vai ser tratada com competência, que a polícia vai ter melhores condições de trabalho e salário digno... Tudo mentira! Sejamos sinceros: qual de nós teria coragem de sair de casa envergando um uniforme da polícia, passar o dia inteiro arriscando a vida correndo atrás de bandido numa viatura sucateada caindo aos pedaços, para no final do mês receber o exorbitante salário de R$ 600,00? Alguém aí se habilita? Porque eu tô fora...
O governador Sérgio Cabral falou pelos cotovelos do governo anterior, mas parece sofrer do mesmo mal do casal Garotinho: incompetência. Pois é, governador, falar é fácil, fazer é que são elas. E assim, nós, os habitantes do estado do Rio de Janeiro, continuamos entregando nossas vidas nas mãos de Deus cada vez que precisamos sair de casa, porque bala perdida não perdoa, mata.
E como tem sempre um político querendo aparecer em qualquer situação, ainda mais em ano de eleição, o deputado Flávio Bolsanaro, do PP, propôs na Assembléia Legislativa estadual, que a insígnia do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE, seja declarada patrimônio cultural do Rio de Janeiro. É isso mesmo, uma caveira espetada por um punhal e duas pistolas cruzadas como símbolo cultural de um estado da federação. Seria cômico se não fosse trágico. E nós elegemos esse senhor para o cargo de deputado estadual...
AGRADECIMENTOS: gostaria de agradecer aos meus queridos amigos ANTÔNIO (http://massquemomento.blogspot.com) e GEÓRGIA (http://saia-justa-georgia.blogspot.com), que leram o EXTREMA PERFEIÇÃO e tão gentilmente publicaram um post a respeito do livro. Vocês moram no meu coração! Valeu.
Escrito por Frodo Oliveira às 03:27 PM
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