Há dias quero escrever sobre Isabella, mas estava aguardando o desenrolar dos fatos, para não cometer nenhuma injustiça com pessoas inocentes, nesse caso que mobilizou a opinião pública de todo o Brasil. Quem já leu Arthur Conan Doyle e seu inesquecível detetive Sherlock Holmes conhece essa citação: "Quando se elimina tudo o que é impossível, o que restar, por mais improvável que pareça, será invariavelmente a verdade". Confesso que torci muito para que a teoria da "terceira pessoa" na cena do crime pudesse ser verdadeira, eu não queria crêr que um pai tivesse a capacidade de assassinar a própria filha, e quem assistiu ao filme "O fugitivo" sabe do que eu estou falando. Sabemos agora que é praticamente impossível que outra pessoa que não o pai e a madrasta tenham jogado Isabella para a morte na noite de 29 de Março passado. Procuro tentar acreditar na raça humana, mas não posso compreeender, sequer imaginar, o que faz um pai ou mesmo uma madrasta cometer um crime tão bizarro. O que poderia ter dito ou feito uma garotinha meiga e alegre, de apenas cinco anos, que pudesse ter despertado tamanha fúria em pessoas aparentemente "normais"? Eu até tentaria perdoar a essas pessoas pelo fato em si, o assassinato de Isabella, caso elas, ao perceberem o terrível ato praticado, caíssem na real e reconhecessem o erro. A raiva é sempre uma péssima conselheira e o despreparo pode levar o homem a atos impensados, não justificáveis porém compreensíveis para a maioria das pessoas. Mas todo o teatro montado pelo casal, a tentativa de enganar a Polícia limpando marcas de sangue e dificultando ao máximo a investigação tornam a situação dos Nardoni insustentável, diante das provas levantadas pela perícia técnica no local do crime. Tenho ouvido aqui e ali comentários maldosos, insinuando que a imprensa só está fazendo todo esse escarcéu em virtude de Isabella ser uma menina rica. Talvez isso até tenha um fundo de verdade, mas qualquer criança indefesa que tem a vida ceifada violentamente, independente da classe social, merece uma investigação como a que está sendo feita pela Polícia paulista. Merece o esforço de cada policial que se dedica ao caso, para que os responsáveis possam ser presos e levados a julgamento. Merece que a justiça seja feita. Pobre Isabella, que achava que era amada pelo pai e pela madrasta; pobre Isabella, sempre prestativa e atenciosa com seus irmãozinhos; pobre Isabella, tão educada e atenciosa para com todos; pobre Isabella, que pensava que tinha tudo, mas que no fundo, não tinha nada... Uma família que faz questão de se dizer amorosa e unida, mas que poucas lágrimas derramou pela pequena Isabella. Até mesmo a mãe fez falta. Me desculpem, talvez esteja aqui cometendo a injustiça que não queria cometer, mas eu esperava muito mais da mãe de Isabella. Aquele ar de conformismo, de educada afetação ficaria muito bem em uma européia, mas não combina em nada com uma mãe brasileira. Afinal, somos latinos, passionais! Se fosse minha filha, eu me jogaria no chão de desespero, xingaria até a última geração dos prováveis assassinos, exigiria que eles apodrecessem na prisão ou fossem fuzilados... Nunca fui a favor da pena capital, mas confesso que esse crime me deu no que pensar: um pai a quem Deus dá o bem mais precioso que se pode ter na vida, um filho, e faz o que a polícia afirma que ele fez, nos faz achar que tudo está perdido. Pobre menina rica, traída e assassinada por aqueles que deveriam cuidar do seu bem-estar e felicidade, a sua estranha família de classe média-alta. O mundo parece mesmo um lugar muito perigoso para se viver hoje em dia...
EXTREMA PERFEIÇÃO
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